Um anganwadi pode pode ser o alicerce de uma comunidade. Esses centros oferecem programas acessíveis de educação e nutrição na primeira infância, além de serviços de saúde para gestantes e mães de recém-nascidos, por meio do Integrated Child Development Services Scheme.O programa nacional de primeira infância da Índia, criado em 1975 e aberto a todas as crianças pequenas, gestantes e mães de recém-nascidos que se inscrevem em um anganwadi. Em 2021, foi reorganizado no âmbito da Missão Saksham Anganwadi e Poshan 2.0.
“Os anganwadis catalisam o acesso gradual a outros serviços básicos”, afirma Swati Janu, arquiteta e fundadora da Social Design Collaborative. “Uma vez estabelecidos, eles dão ao bairro um endereço legítimo, o que ajuda a pavimentar o caminho para outros serviços municipais. Essa transformação estrutural tem sido a principal motivação por trás deste projeto.”
Embora o Udaan tenha sido construído em apenas duas semanas, o início das obras foi precedido por meses de colaboração entre professores, famílias e estudantes da comunidade, até se chegar ao projeto final.
E tudo começa pela perspectiva das crianças. O que elas enxergam a partir de seu ângulo de visão? Isso determina a altura em que serão pintados os murais e onde os espelhos serão posicionados. Até que altura elas alcançam? Todas as estantes de livros, escaninhos e jogos fixados nas paredes são posicionados cuidadosamente para garantir que cada criança possa interagir com o ambiente ao seu redor. O resultado é um espaço projetado especificamente para as crianças, que leva em conta como a pedagogia pode atuar além dos muros da sala de aula para incentivar o desenvolvimento da coordenação motora grossa e fina infantil.
Em outras partes de Delhi, essa mesma atenção se volta para os terrenos, territórios e ecologias onde os próprios centros de cuidado infantil estão inseridos.
Em fevereiro de 2026, o anganwadi Kisan Bati, às margens do rio Yamuna, iniciou suas atividades. Foi construído com materiais encontrados no próprio local, em colaboração com catadores de materiais recicláveis e agricultores da região, dando uma nova vida a recursos antes descartados encontrados às margens do rio. Trata-se de uma estrutura igualmente sensível ao ambiente e à comunidade que atende.
“Enquanto o restante das várzeas do rio passa por um processo de gentrificação acelerado com os projetos de desenvolvimento da orla de Delhi”, explica Janu, “o centro de aprendizagem daqui atende comunidades agrícolas cujo modo de vida está atrelado ao rio há décadas.”
As inundações nas margens do Yamuna tornam-se mais frequentes à medida que tempestades mais intensas e volumosas despejam cada vez mais água na região. Nos últimos anos, o Yamuna atingiu níveis recordes de água, enquanto Delhi alcançou índices pluviométricos que não eram vistos há 40 anos. Somadas ao calor sem precedentes, as condições exigem muito de qualquer intervenção construída. Um piso de placas de borracha feitas com esterco de vaca, apoiado sobre paletes de plástico, eleva a superfície de uso acima da água da inundação e nivela o solo irregular e instável provocado pelas enchentes. Já a estrutura feita de bambu mantém o conjunto unido diante das forças laterais provocadas pelos fortes ventos sazonais, que poderiam rachar ou derrubar uma estrutura que fosse mais rígida. Os agricultores cobrirão o telhado com plantas aquáticas do rio, criando uma pequena, mas significativa camada de ar que funciona como isolamento para as chapas da cobertura, reduzindo a transferência de calor e mantendo alunos e professores sensivelmente mais frescos durante os verões sufocantes de Delhi.
“As famílias desses bairros sempre utilizaram materiais locais e técnicas construtivas transitórias como mecanismos de adaptação a desastres naturais ou crises provocadas pela ação humana”, afirma Janu. “Os materiais de construção não são escolhidos apenas pelo custo, mas também pela facilidade de desmontagem e reconstrução em caso de despejo ou diante de riscos relacionados às mudanças climáticas. Nesses contextos, inovar significa partir dessas tecnologias e dos conhecimentos tradicionais desenvolvidos pelas próprias comunidades ao longo do tempo, em vez de simplesmente transplantar nossa concepção de design.”
As práticas construtivas mais seguras e resistentes pelas quais Swati e sua equipe lutam para conquistar apoio e reconhecimento ajudam a tornar esses processos existentes mais sustentáveis e resilientes.
Nesses contextos, inovar significa partir dessas tecnologias e dos conhecimentos tradicionais desenvolvidos pelas próprias comunidades ao longo do tempo, em vez de simplesmente transplantar nossa concepção de design.
Em todo o país, apenas dois terços dos 1,4 milhão de centros anganwadi da Índia têm abastecimento elétrico permanente, e cerca de metade conta com água encanada. O compartilhamento de conhecimentos pode ajudar a reduzir essa lacuna. Udaan e Kisan Bati são estruturas modulares e de código aberto; seus projetos de base podem ser adaptados a condições locais distintas. Kits que incluem modelos, folhetos, cartazes, um manual de faça-você-mesmo e moldes de estêncil para textos e ícones são utilizados por mulheres que adaptam suas próprias casas para transformá-las em creches. Os projetos já foram reproduzidos em cerca de 150 casas em áreas rurais da Índia.
Novas creches continuam surgindo, e a Social Design Collaborative agora trabalha em parceria com o Ministério das Mulheres e do Desenvolvimento Infantil para expandir a iniciativa a outras 25 comunidades. Nove etapas depois e construída à mão, mais uma creche está pronta e funcionando.
“Espaços bonitos e inspiradores desempenham um papel importante na vida das pessoas e na criação de um sentimento de orgulho e pertencimento”, afirma Janu. “A beleza pode ser um poderoso catalisador de transformação social e engajamento comunitário, mobilizando assistentes sociais, ativistas e advogados de direitos humanos a trabalharem juntos de forma interdisciplinar.”