19–20 de setembro

Encontro

Arquiteturas do Bem-Estar Planetário Refletindo sobre a prática espacial sob as perspectivas da reparação, da temporalidade e do envolvimento.

Arquiteturas do Bem-Estar Planetário

O primeiro simpósio do rearc institute em São Paulo é uma investigação experiencial sobre os valores, as práticas e os sistemas de crenças que expressam e protegem a interconectividade de toda a vida, e com os quais nos envolvemos por meio do conceito de arquiteturas do bem-estar planetário.

Esses eventos ao vivo, específicos para cada local, reúnem pontos de vista interculturais e interdisciplinares com o objetivo de ampliar o discurso e a prática, bem como de promover a abertura de espírito e o aprendizado mútuo. Simpósios anteriores foram realizados em Bogotá (CO) e Londres (Reino Unido).

Este ano, o simpósio Arquiteturas do Bem-Estar Planetário será sediado pelo Teat(r)o Oficina, fundado em 1958 e sediado, desde 1961, no mesmo endereço no bairro da Bixiga, em São Paulo. Reconhecido por sua importância na história do teatro experimental e da arte performática, o projeto arquitetônico do prédio do teatro e a linguagem artística da companhia — ambos tombados como patrimônio material e imaterial e inseparáveis um do outro — estão em constante transformação. O Teat(r)o Oficina foi oficialmente tombado como patrimônio histórico em 1981 pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico (CONDEPHAAT).

Desdobrando-se em três atos ao longo de dois dias, a programação reúne um grupo de estudiosos e profissionais que compartilharão palestras, apresentações, performances e debates em formato de painel. O evento abordará reflexões sobre a prática espacial sob as lentes da reparação e do envolvimento, bem como a reorientação da temporalidade por meio da qual percebemos e criamos o ambiente construído. Os participantes convidados oferecerão conhecimentos vivenciados sobre coletividade, ecologia, território, design e arquitetura. Suas presenças e perspectivas se envolverão com — e serão enriquecidas pela — profunda relação do espaço com as interseções entre performance e imaginação revolucionária.

Programa/Cronograma

19 de setembro

  1. Maria Luiza de Barros é uma arquiteta e urbanista interdisciplinar cuja pesquisa é orientada pela ideia de que a cidade vibra – em múltiplas frequências que pulsam através de seres, territórios e histórias. Ela trata o som e a música como tecnologias espaciais, investigando as relações entre o espaço urbano e as culturas sonoras da diáspora transatlântica, onde o ritmo e a experimentação se tornam formas de presença, encontro e criação. Por meio de suas apresentações como DJ, ela busca ativar essas vibrações como uma forma de perceber o mundo em comum, reconhecendo que o bem-estar também se constrói por meio do ato de ouvir e das conexões que ele possibilita.

    Maria Luiza de Barros
    Maria Luiza de Barros
  2. Nesta conversa, o pensamento de Ailton Krenak sobre uma consciência ambiental global se encontra com a proposta de Paulo Tavares em torno de uma arquitetura da reparação. Krenak nos convida a abandonar a insistência em sustentar um sistema destrutivo e seus modos compulsivos de produção, para reconhecer a finitude tanto da Terra quanto de nós mesmos. Em diálogo, os dois pensadores abrem caminhos para imaginar futuros sobre os espaços que habitamos, baseados em uma percepção coletiva de que não estamos em dívida com a natureza, mas fazemos parte dela.

    Ailton Krenak
    Ailton Krenak
    Paulo Tavares
    Paulo Tavares
  3. Teat(r)o de Mutirão é uma performance-ritual que ativa os espaços arquitetônicos e simbólicos do Teat(r)o Oficina através de uma ação coral: um encontro de vozes, gestos e presenças que juntos incorporam os pontos vitais do Terreyro Eletrôniko. A performance cruza da rua para o parque em uma passagem coletiva, convidando o público a percorrer um rito aberto, onde as tecnologias do teatro são experimentadas e o espaço é nutrido por canções, refeições compartilhadas, resistência e celebração. Com base em canções do repertório do teatro ao longo de seus sessenta e sete anos de história, cada uma é escolhida para ativar tanto infraestruturas pré-existentes quanto recém-criadas dentro e ao redor do edifício.

    Criação: Associação Teat(r)o Oficina Uzyna Uzona

    Co-direção: Fernanda Taddei, Marília Piraju, Rodrigo Andreolli 
    com: Abmael Henrique, Alexandre Paz, Alex de Tata, André Santana, Ana Clara Cantanhede, Fefê Camilo, Cyro Morais, Joana Medeiros, Joel Carlos, Kelly Campello, Letícia Coura, Lucas Andrade, Marcelo X, Moita Mattos, Selma Paiva, Sylvia Prado, Tetê Purezempla, Vick Nefertiti, Victor Rosa.

    Associação Teat(r)o Oficina Uzyna Uzona
    Associação Teat(r)o Oficina Uzyna Uzona
  4. Neste encontro, a historiadora Ana Flávia Magalhães Pinto e o arquiteto Paulo Tavares refletem sobre ideias em torno da arquitetura da reparação, da memória e dos arquivos. A conversa propõe examinar como a arquitetura e as práticas espaciais podem ser situadas historicamente, socialmente e culturalmente, revelando injustiças do passado e buscando formas de repará-las nos mundos que habitamos.

    Ana Flávia Magalhães Pinto
    Ana Flávia Magalhães Pinto
    Paulo Tavares
    Paulo Tavares
  5. Maria Luiza de Barros é uma arquiteta e urbanista interdisciplinar cuja pesquisa é orientada pela ideia de que a cidade vibra – em múltiplas frequências que pulsam através de seres, territórios e histórias. Ela trata o som e a música como tecnologias espaciais, investigando as relações entre o espaço urbano e as culturas sonoras da diáspora transatlântica, onde o ritmo e a experimentação se tornam formas de presença, encontro e criação. Por meio de suas apresentações como DJ, ela busca ativar essas vibrações como uma forma de perceber o mundo em comum, reconhecendo que o bem-estar também se constrói por meio do ato de ouvir e das conexões que ele possibilita.

    Maria Luiza de Barros
    Maria Luiza de Barros

20 de setembro

  1. A poeta, escritora e teórica Leda Maria Martins abre o segundo dia com uma fala que propõe novas noções de espacialidade e examina como diferentes temporalidades podem orientar nossa relação com as práticas espaciais. Sua reflexão se apoia em décadas de investigação sobre o tempo espiralar e no potencial das temporalidades ancestrais para resistir às estruturas coloniais da cronologia.

    Leda Maria Martins
    Leda Maria Martins
  2. Nesta mesa redonda, Leda Maria Martins, Mãe Celina de Xangô, Rose Afefé e Maya Quilolo dialogam com a mediação de Gabriela de Matos e Aubrey Carolini, do Instituto Cambará. A conversa aborda temporalidades além de modelos cronológicos ou voltados ao futuro, refletindo sobre como perspectivas não lineares podem inspirar e transformar práticas espaciais. Os participantes discutirão dimensões éticas, culturais e corporificadas do espaço, da arquitetura e da vivência comunitária, com propostas que valorizem memória, ritual e relações.

    Com Leda Maria Martins, Mãe Celina de Xangô, Rose Afefé e Maya Quilolo

    Moderada por Gabriela de Matos e Aubrey Carolini, do Instituto Cambará

    Leda Maria Martins
    Leda Maria Martins
    Mãe Celina de Xangô
    Mãe Celina de Xangô
    Rose Afefé
    Rose Afefé
    Maya Quilolo
    Maya Quilolo
    Gabriela de Matos
    Gabriela de Matos
    Audrey Carolini
    Audrey Carolini
  3. A performance do renomado pianista de jazz recifense Amaro Freitas, celebrado por se inspirar em tradições ancestrais e em conexões profundas para criar um som dinâmico e decolonial. Esta apresentação destaca seu álbum de 2024, Y’Y, que oferece percussões polirrítmicas capazes de transformar e expandir o gênero por meio de heranças sonoras amazônicas, promovendo uma relação mais ativa com os legados indígenas e com a Terra.

    Amaro Freitas
    Amaro Freitas
  4. Quais práticas espaciais ainda resistem ao existir diante de sucessivos colapsos climáticos, econômicos, políticos e sociais ligados ao paradigma do desenvolvimento (des-envolvimento)? Como a ideia de envolvimento – proposta pelos pensadores indígenas e quilombolas Ailton Krenak e Nêgo Bispo – pode orientar essas práticas? Nesta conversa, mediada pela arquiteta, urbanista e pesquisadora Marcella Arruda, será discutido como a arquitetura pode funcionar como um dispositivo de envolvimento com o território, e também com as práticas que conectam territórios, tempo e corpo.

    Com Tainá de Paula, Jerá Guarani e Maria Alice Pereira da Silva

    Moderada por Marcella Arruda

    Tainá de Paula
    Tainá de Paula
    Jerá Guarani
    Jerá Guarani
    Maria Alice Pereira da Silva
    Maria Alice Pereira da Silva
    Marcella Arruda
    Marcella Arruda
  5. Quatro práticas de arquitetura, design e organização farão breves apresentações sobre seus valores e metodologias em relação ao bem-viver planetário. Suas contribuições partem da ideia de envolvimento como atos interespécies de transformação coletiva, e da filosofia que prioriza o processo e as relações.

    Com Sem Muros, Palmares Laboratório-Ação, RUÍNA Arquitetura e Grupo ][ Fresta

    Sem Muros
    Sem Muros
    Palmares Laboratório-Ação
    Palmares Laboratório-Ação
    RUÍNA Arquitetura
    RUÍNA Arquitetura
    Grupo ][ Fresta
    Grupo ][ Fresta
  6. A autora, teórica e curadora feminista Joice Berth encerrará o terceiro ato expandindo sua reflexões sobre empoderamento, reposicionando esse conceito hiperindividual como uma transformação necessariamente coletiva. As abordagens de Joice sobre as relacionalidades estruturais e o direito ao espaço urbano são moldadas por sua formação em arquitetura e urbanismo, e examinam como a ação interseccional e coletiva pode influenciar o espaço urbano.

    Joice Berth
    Joice Berth